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Mostrando postagens de abril, 2020

CINCO SÍLABAS

CINCO SÍLABAS 16/02/2020 Facebook Twitter WhatsApp Email Compartilhar Ele fez poesia métrica silabando seus nomes. Ela fez um mapa psíquico da paixão. Ele acordava lembrando dela. Ela dormia pensando nele. Ele cortou o cabelo para agradá-la. Ela achou que o coração não cabia mais no peito. Fizeram trilha sonora, planos, ensaios. Combinaram viagens, cinemas, bebedeiras. Dividiram segredos, sonhos, gostos. Acharam a alma gêmea. Ele tinha o timbre edípico do tio dela. Ela era do signo do seu antigo amor. Ele trazia a maturidade e a disciplina. Ela, a liberdade em forma de gargalhadas. Riram, andaram de foguete, tiveram perrengues, colocaram o ritmo cardíaco à prova. Dançaram juntos à distância, tomaram chá do Che Guevara, sentiram arrepio quando o pé dela alcançou a perna dele. Ela sabia desde o início que se apaixonariam Tentou frear e ele atirou mais uma pedrinha. Ela abriu a janela. Voltou a sorrir. Ele adoeceu. Quis viver. Tentou parar e ela se desculpou. Ele sabia ...

MI LUNA, MI CORAZÓN

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LIMONADA ,   TEXTOS MI LUNA, MI CORAZÓN 30/03/2020 Facebook Twitter WhatsApp Email Compartilhar Tchekhov, em seu livro O Duelo, diz: “O senhor mesmo sabe que uma situação indefinida é um estímulo considerável para a apatia das pessoas.” Parecia mágica estar lá! Chegar em Montevidéu exatamente no dia do show – e em tempo de chegar à Antel Arena – era mesmo uma deliciosa coincidência, quase um presente. Ele sempre considerou Joaquín Sabina um grande artista, desses que tocam o âmago da alma da gente. Dizia que Sabina era um ‘Bob Dylan castelhano’ ou um ‘Belchior espanhol’, dada a arte que emanava das suas canções, e há tempos sonhava em assistir uma apresentação dessa figura. Ambos na casa dos setenta, ele sabia bem o peso de cada passo nessa altura da vida… não porque faltasse-lhes vitalidade, muito pelo contrário: ambos gozavam de uma saúde invejável, mas era inevitável o ônus das memórias dessas sete décadas de vida. Tinha o maior apreço por essas pessoas q...

EM TEMPOS DE PANDEMIA: A palavra como antídoto para as angústias

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LIMONADA ,   TEXTOS EM TEMPOS DE PANDEMIA: A palavra como antídoto para as angústias 11/04/2020 Facebook Twitter WhatsApp Email Compartilhar Entre tantas outras coisas, aprendemos: quando podemos falar sobre o que sentimos, fica até mais fácil sentir! Como pode um ser vivo invisível ter tamanho poder de destruição e causar uma brusca mudança no mundo? Talvez, justamente pelo fato de não ser visto, o tal COVID-19 se alastrou e trouxe, junto consigo, o medo. Sem podermos enxergar o perigo, o ‘inimigo’, tudo fica ainda mais assustador… basta lembrar dos filmes de terror ou suspense, onde o perigo invisível das piores cenas é o mais apavorante – e suficiente para fazer o espectador tremer. Vieram as medidas de proteção, os decretos e em poucos dias, de maneira violenta e abrupta, tivemos que reinventar nossas vidas. Não resta dúvida que estamos todos vivendo uma situação traumática, invadidos por angústias e situações difíceis de compreender. A Psicanálise, alé...