6 ANOS DE CACHINHOS DOURADOS

E de repente ela fica banguela e aquela janela abre pra mim uma certeza quase desconcertante: ela cresceu!


Uma simples janelinha, aos 6 anos de vida, vai dando espaço para um mundo novo nascer junto com o dente. Aquele bebê, que um dia também me surpreendeu com seus fios de cabelos tricolores – deixando as enfermeiras da maternidade questionando-se se havia salão de beleza no céu – agora me surpreende com seu jeito crescido, com seu sabor agridoce de menina-moleca…
E vai abrindo janelas em mim também, ensolarando meu coração (sempre aflito de mãe), quando me surpreende (e encanta!) dizendo que foi o Monteiro Lobato quem criou o rinoceronte chamado Quindim, no Sítio do Pica-pau Amarelo; que nossas lágrimas são salgadas, talvez, porque bebemos água e usamos sal pra fazer comida; que os bebês lontras aprendem a nadar só porque suas mães sabem a hora certa de dar um mergulho e deixá-los sozinhos; que está em dúvida se quer ser bióloga marinha ou bióloga jurássica quando crescer…
Vai escancarando as janelas da minha alma quando busca respostas de uma forma encantadora dentro da sua cabecinha criativa, quando me abraça com seus bracinhos fofos, quando se transforma na dona Massagista ao perceber que tive um dia ruim.
Espero que seus cabelos nunca desencaracolem-se totalmente… porque tenho receio que suas ideias alisem-se demais e percam a forma divertida de entender a vida. Espero que seu sorriso siga com esse som tão delicioso que dá vontade de sorrir junto e não parar mais! Que suas invenções mirabolantes e criativas sejam prenúncios para que sempre encontre saídas vida afora (afinal, quem pensa em misturar spray nasal, farinha e tinta de canetinha para criar um delicioso milk shake de boneca, pode fazer outras tantas misturas para salvar a si mesma ou qualquer pessoa de situações difíceis!). Espero que, apesar de já saber fazer tantas coisas sozinha, minha presença nunca se torne totalmente dispensável… porque eu quero ter o prazer de desfrutar sua companhia durante o tempo que nossos 40 anos de diferença me permitirem viver.
Porque o azul dos seus olhos é um céu em que eu amo voar… e o toque dos seus lábios na minha bochecha é uma das sensações mais deliciosas que já senti na vida!
-Flávia Bernardi


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