O Amor Não Pode Viver na Penumbra
É a tal solidão a dois… aí a gente fica tipo cabra-cega procurando o outro no vazio do quarto e não encontra ninguém. Se enroscar nas próprias fantasias era quase uma constante. Bastava um olhar cerrado, atravessado ou gélido para que os caracóis dos cabelos adentrassem e embaralhassem seus pensamentos. A maturidade havia se tornado um pente eficaz para desembaraçar fios e medos… inseguranças e falsas percepções se desfaziam fáceis quando as cerdas da serenidade lhe passavam à cabeça. Mas em alguns momentos nada dissolve os nós: as convicções são infalíveis quando se entrelaçam com as inseguranças ou ativam capítulos dolorosos anteriormente vividos. Naquela noite, olhos fixos mais uma vez no lustre pendente do teto. Um único clarão entrava furtivo pela fresta da cortina mal fechada e iluminava o quarto. Cama cheia, corpo vazio. O líquido que seria seu ainda armazenado no corpo dele. Cenário perfeito para os fantasmas saracotearem atrevidos e perversos, caindo sobre ela como pétal...